terça-feira, 11 de agosto de 2009

Texto sobre Mata Atlântica

Mata Atlântica

Delamare Mello

O bioma Mata Atlântica desde a época do descobrimento do Brasil pelos portugueses, cobria uma área de cerca de 1.306.421 Km² ou 15% da área em 17 estados do território brasileiro. O nome dado ao Brasil é uma referência a um dos seus exemplares mais explorados no período pelos portugueses. Trata-se da Caesalpinia echinata ou popularmente conhecida como pau-brasil. Atualmente cobre apenas 7% com área de 102.000 Km². A entrada de colonizadores portugueses em 1500 foi o passo inicial do processo de degradação da Mata Atlântica. Alguns dos ciclos representativos que contribuíram para a redução significativa da Mata Atlântica incluíram a exploração do pau-brasil, mineração do ouro e diamantes, criação de gado, cana de açúcar, café, extração de madeiras. Atualmente temos as plantações de soja, cana de açúcar e fumo. A história revela que os governos legitimaram a exploração, industrialização juntamente com o setor madeireiro, imobiliário e siderúrgico. Pouco se preocupavam com a preservação e manutenção da Mata Atlântica já que o maior interesse era atingir desenvolvimento econômico. Importante destacar que em 1917, após a segunda guerra mundial, o governo concedia concessões, estímulos e incentivo para a retirada da madeira com o objetivo de atrair importadores,suprir o mercado europeu para promoção do desenvolvimento no país. O Bioma Mata Atlântica é o segundo maior ecossistema, o maior em diversidade e o mais ameaçado de extinção do planeta. É o bioma de maior diversidade em árvores do mundo. Somente no sul da Bahia, foram identificadas 454 espécies diferentes em um único hectare. Possui mais de 20 mil espécies de plantas, sendo que oito mil somente são espécies endêmicas, naturalmente encontradas no Brasil. As chuvas que atinge a Mata Atlântica colaboram para a manutenção do regime hídrico permanente. As matas ciliares com sua folhas, raízes, galhos, arbustos, gramíneas favorecem a retenção de cerca de 70% da água que cai sob a forma de chuva, filtrando e infiltrando água, atuando como uma grande esponja, contribuindo para o equilíbrio dinâmico e permanente do bioma.Por possuir muitas espécies endêmicas e em risco de extinção, a organização não governamental de conservação internacional a incluiu como área de hotspot assim como o cerrado já que 50% das plantas vasculares existentes a exemplo de palmeiras e bromélias, dentre outras espécies de plantas e animais que compõe a fauna e flora ,encontram-se exclusivamente neste bioma. Algumas das frutas utilizadas na nossa alimentação como o caju, goiaba, Cambuci, pitanga, araça são da Mata Atlântica. Possuem cerca de 1,6 milhões de espécies de animais, dentro da diversidade cultural da mata.

Possui a maior quantidade de espécies endêmicas de animais sendo algumas ameaçadas de extinção e muito utilizadas em campanhas com o objetivo de conscientizar e sensibilizar a população para a necessidade de preservação deste importante bioma. São exemplos o mico-leão-dourado preto e o muriqui, mico-leão da cara preta,

Fonte: Política ambiental

considerado o maior macaco da América do sul. É na mata atlântica que o ciclo da água conserva 70% da água que serve para abastecimento de importantes rios como o São Francisco, Paraná, Tietê, Paranapanema, Ribeira do Iguape dentre outros. Servindo como uma imensa esponja, a floresta através das matas ciliares retém grande quantidade de água que alimentará nascentes, lençóis freáticos e rios. As águas dos rios são utilizadas para manter a imensa biodiversidade existente e são utilizadas pelo homem para as diversas atividades econômicas e construção civil razão pela qual vem sofrendo um crescente processo de destruição. Grande parte da população brasileira vive próximo da mata atlântica já que seu processo de ocupação iniciou-se pelas áreas litorâneas formando as metrópoles, indústrias e os grandes aglomerados urbanos. A mata atlântica primária, embora considerada patrimônio nacional pela constituição federal, contraditoriamente vem sendo explorada e tendo sua área a cada ano reduzida pela ação predatória do homem. Dentre os estados brasileiros, o estado de Piauí e Alagoas foram os que mais sofreram com o desmatamento.

No estado da Bahia a mata atlântica estende-se por cinco regiões: chapada Diamantina, litoral norte, baixo sul, sul e extremo sul. Diversos ciclos econômicos utilizaram a Mata atlântica como exploração a exemplo pau-brasil, cana-de-açúcar, ouro, diamante, café, gado, algodão e cacau. Das cinco regiões, três vem sendo utilizadas para a exploração econômica como a carcinocultura, gás e óleo na baia de Camamu, o cacau na região sul cacaueira e o extremo sul com a pecuária e a monocultura do eucalipto o que explica a grande devastação desta área onde a pratica do extrativismo esta muito enraizada na população inclusive como forma de garantir a sobrevivência. Para melhor entendimento e compreensão, apresentamos uma tabela com divisões e principais características:

Formação

Características

Floresta ombrófila densa

Mata sempre verde e com árvores que chegam a altura de 40 m. Grande variedade de arbustos, samambaias, bromélias, orquídeas, palmeiras trepadeiras e epífitas. Em áreas úmidas e encharcadas, figueiras, jerivás e palmitos. Estende-se do Ceará ao Rio Grande do Sul.

Floresta ombrófila mista

É formada pelas matas de araucárias ocorrida na região de clima sub-tropical principalmente nos planaltos do Rio Grande do Sul e Santa Catarina.São encontradas na Serra do mar e geral e nos litorais do Rio de Janeiro e Paraná.

Ombrófila aberta

Encontrada na Bahia, Espírito Santo e Alagoas

Estacional semidecidual

e decidual.

Mata com árvores de 25 a 30 metros de altura e com folhas que caem no inverno frio e seco.Possuem muitas epífitas com cipós, trepadeiras e samambaias.Encontrada no planalto brasileiro até o rio Paraná.Lá possuem dois Parque de proteção: Parque Estadual do morro do diabo e o Parque Nacional do Iguacú.

Campos de altitude

Ocorrem em elevações até 1800m e são ocupadas or gramíneas. Interrompidas por charnecas (vegetação xerófila ou plantas agrestes)

Ecossistemas associados/manguezais

Formações que ocorrem nos estuários em razão do encontro de águas de rios e mares.

Ecossistemas associados/restingas

Tem início nas praias sob a forma de vegetação rasteira e na medida em que avança para o interior, apresenta aspecto variado como bromélias, orquídeas e cactos se destacam na vegetação. A ocupação humana nesta área para construções tem sido muito forte nas áreas que margeiam as praias.

Ecossistemas associados/brejos interiorano

Muito comum no interior e nos tabuleiros do nordeste do semi-árido

A fauna da mata atlântica é muito diversificada. Muitas espécies se destacam pela beleza e importância na dinâmica de funcionamento deste riquíssimo bioma. Assim como as plantas, os a maioria os animais existentes são de espécies endêmicas, ou seja ,só existe neste lugar. Alguns representantes são o tamanduá-bandeira (Myrmecophaga tridactyla) e o muriqui, conhecido como mono-carvoeiro (Brachyteles arachnoide) que é considerado o maior primata do continente americano e o maior mamífero endêmico do Brasil. Uma curiosidade que chama atenção é a palavra muriqui que originou o nome deste mamífero. A palavra é de origem indígena Tupi e significa gente tranqüila. Por apresentar uma rica e variada alimentação à base de frutas, nozes, sementes, flores, ovos de pássaros e insetos. Algumas das sementes somente conseguem germinar no solo, depois de passar pelo trato digestivo destes animais.Esta relação promove a manutenção, distribuição e diversificação das espécies nas florestas úmidas baixas.Em decorrência da caça, este animal se encontra em risco de extinção devido a baixa capacidade reprodutiva e destruição de seu habitat natural . Seu comportamento é caracterizado pela harmonia e não disputa pelo poder nem por parceiros.

A diversidade cultural da Mata Atlântica era formada por muitos povos indígenas em 1500 como os Tamoios, Temininós, Tupiniquins,Caetés, Tabajaras, Potiguares, Pataxós e Guaranis onde ocupam 13 áreas na Bahia que não chegam a ocupar em cada área menos de dois mil hectares de terra. Atualmente, nas áreas da mata atlântica residem quilombolas, roceiros, caiçaras e o caboclo ribeirinho. A intensa destruição deste ecossistema por interesses econômicos, infelizmente tem promovido a marginalização destas comunidades que possuem vínculos muito grandes com o bioma como a pesca artesanal, agricultura de subsistência, artesanato e extrativismo como coleta de caranguejo, ostras e o corte sustentável do palmito.

Em 1924, o brasilianista Warren Dean cita durante uma conferência apontando o absurdo que a destruição vinha provocando em prol do desenvolvimento, um orador revelou:

“Entre nós é nulo o amor por

nossas florestas, nula a compreensão

das infelizes conseqüências que derivam

de seu empobrecimento e do horror que

resultaria de sua completa destruição.

Fortalecer o sentimento (de conservação)

é uma medida de necessidade urgente”.

(1924).

Na Bahia, a Mata atlântica foi dividida em cinco regiões: Chapada Diamantina- oeste, Litoral Norte, Baixo-Sul, Sul e Extremo Sul. Todas elas passaram e passam por ações antrópicas do uso solo, rios e matas. No passado com a cana de açúcar, criação de gado, cacau, pau-brasil, café e diamante. Atualmente a destruição do que resta é para favorecer a exploração pra a monocultura do eucalipto e carvoarias clandestinas. Para citar alguns exemplos, no baixo Sul, entre os rios de contas e Paraguaçu a exploração da madeira é intensa. Neste trecho encontram-se manguezais restingas e na ilha de Tinharé (Morro de São Paulo) além do turismo de massa, existe a partir da Baía de Camamu cultivo de camarão (carcinocultura), óleo e gás. Entre os rios Jequintinhonha e Paraguaçu encontra-se a região sul cacaueira. No extremo sul é a área onde existe intensa atividade pecuária e monocultura do eucalipto.

Importante destacar que as atividades de cultivo de camarão e eucalipto são atividades que geram grande impacto ambiental nos manguezais e restingas nas regiões de Caravelas, Canavieiras e Camamu, concentrando renda nas mãos de poucos e gera desigualdades sociais intensas para as comunidades que viviam da pesca artesanal nos mangues. O destaque ou unidades de conservação do corredor central onde existe o maior conjunto de remanescentes da Mata Atlântica do estado onde estão situados os Parques de Abrolhos, Descobrimento, pau-brasil, Monte Pascoal e a reserva extrativista de Corumbau. Desde o século XIX, Abrolhos, parte da Mata Atlântica foi devastada para exploração da madeira. Na década de 1970, após a construção da rodovia BR 101 a região sofreu intenso desmatamento com a produção de carvão, café, criação de gado, mamão e atualmente o eucalipto para atender a indústria da celulose. O lado positivo é que o Parque de Abrolhos concentra os maiores recifes de corais do Atlântico Sul. A Mata Atlântica ainda abriga os ecossistemas de água doce e marinhos. No corredor central da Mata Atlântica é explorada a Attalea funifera, espécie de palmeira que produz a piaçava que é de grande importância econômica, sendo utilizadas na fabricação de vassouras e escovas.

Além dos três parques citados, existem ainda possui três unidades de conservação e proteção integral que são: Reserva Biológica de Ulna, Parque Estadual serra do Conduru e Estação ecológica de Wensceslau Brás. No domínio da Mata Atlântica existem ainda 20 APAs (Áreas de Proteção Ambiental) que engloba florestas, mangues, ilhas, bancos coralinos e outros ecossistemas associados.

A criação de parques e APAS, unidades de conservação e corredores ecológicos devem servir para

garantir às espécies viventes o direito de se reproduzirem, diversificarem para a manutenção e preservação de um patrimônio que certamente estará disponível, vivo para as gerações futuras.

Referências Bibliográficas:

BATISTA, Milton dos Santos; TIMMERS Jean-Francois; CUNHA, Renato Pegas Paes.Projeto Corredores Ecológicos, Bahia, 2005

Sites:

http://politicambiental.blogspot.com/2008/05/aumenta-desmatamento-na-mata-atlntica.html

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